Para hoje, temos mais um desabafo. E apesar do personagem claramente ser um escritor, gostaria que os leitores repensassem sobre seus projetos pessoais, sobre as suas "gavetas" materiais e imateriais.
A GAVETA
O som da chuva me lembra de muitas coisas,
Os pingos batem em minha janela como se
Batessem em minha consciência, e gritassem
Ofensas que há muito tempo guardei na gaveta,
Ah, se eu possuísse a coragem necessária para
Tirar aquela pilha de papéis da gaveta,
E jogar ao mundo, para que ele saiba: dentro dessa cabeça
Também nascem bons conselhos,
Maldita gaveta, me impede de expor o que fiz!
Embora me debruce todos os dias sobre a escrivaninha,
Não consigo usar de minhas melhores ideias,
Maldita gaveta, prendeste-me aqui, sou teu servo,
Minha criatividade foi gasta ao longo dos anos,
E mesmo cheia de ideias, a gaveta não se abre,
Mesmo sem espaço, ela não se rende,
E lá fora, o mundo me esquece.
J