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06 janeiro 2016

A História de Eustáquio (Capítulo 21 - Um Novo Eustáquio)

- Vocês dois virão conosco! - Gritou o líder dos soldados, altivo.
O grupo armado havia cercado o acampamento dos fugitivos e agora esperavam pela sua rendição. O homem com ar orgulhoso retirou seu elmo e esperou que alguém se pronunciasse, estava impaciente.
Lentamente Eustáquio apresentou-se, observando o destacamento militar, Dianna veio logo atrás e encarou os homens de seu pai como se pudesse derretê-los apenas com a força da mente.
- Eu falei que teríamos problema... - Sussurrou Eustáquio.
- Tá bom, senhor obviedade. Tem algum plano?
- De 0 a 10, quanto você confia em seu talento diplomático?
- Eu não tenho talento diplomático - Dianna encarou o forasteiro, que parecia pensativo. Pela primeira vez, a princesa viu em Eustáquio a imagem de um homem sério, determinado.
- Vocês já terminaram? - Perguntou o comandante, e subitamente o casal voltou para a realidade de que estavam cercados.
- O que querem? - Perguntou a princesa.
- Não parece óbvio? Seu pai quer a cabeça do forasteiro, e você provavelmente irá casar-se com um nobre gordo e feio. Sabe como o rei fica quando está irritado.
Eustáquio observou a espaçonave, estava  atrás dos soldados que o cercavam. A porta aberta, apenas esperando que ele entrasse. Ele, ou a princesa.
- Dianna... Quero que fuja. Irei abrir caminho e você corre até a nave.
- Mas Eustáquio... - O casal encarou-se profundamente e antes que a princesa pudesse concordar ou discordar, Eustáquio correu.
No meio da corrida ele gritou:
- EVA, ativar sistema de segurança!
A nava fez um conjunto de sons e de sua lateral surgiu um protótipo, uma rápida leitura da situação e o sistema inteligente de EVA decidiu que um tiro explosivo poderia colocar em risco seu mestre. Então, uma rede com pesos foi lançada na direção dos soldados que separavam piloto e espaçonave. Eustáquio lançou-se sobre os homens. Como um vulto, Dianna passou por eles, Alarme estava em seus braços.
A princesa ganhou rapidamente o terreno próximo da nave. Foi então que ela ouviu um grito, ao virar-se viu o líder dos soldados, ele ainda estava sem o elmo mas agora segurava em suas mãos uma espada vermelha de sangue. Eustáquio caiu no chão com as costas abertas em um único corte.
Dianna ficou paralisada, sabia que precisava entrar na nave mas seu corpo não respondia ao comando. Ela apenas mexeu-se quando sentiu uma mão tocar seu braço, era um dos soldados de seu pai. Ela girou o corpo e chutou o homem no joelho o mais forte que pode, ouviu-se um alto baque. A princesa dirigiu-se rapidamente até EVA mas, o soldado agarrou seu pé. Ali estava ela, entre a salvação e o aprisionamento. Dianna tomou a decisão mais altruísta.
Esticando o corpo, a princesa colocou Alarme dentro da nave e disse:
- EVA, esse menino é filho do Eustáquio, o pai biológico dele morreu mas você precisa salvá-lo. Vá! Agora!
EVA fez mais uma leitura da cena, nunca fora programada para tal situação. Seu piloto estava morto e agora uma mulher desesperada queria que a nave partisse? Complicado demais. Mas o planeta não oferecia nada de útil para os propósitos do sistema operacional.
A porta fechou e os canhões das laterais da nave queimarão combustível. Enquanto era arrastada para casa, Dianna assistiu EVA partir.


Fim da Parte I
Até breve...

31 dezembro 2015

A História de Eustáquio (Capítulo 20 - Reviravoltas na Partida)

Eustáquio disse que montaria guarda durante a noite, mas ao mencionar isso à princesa, ela apenas riu e disse que, se o frio não o matasse, os insetos o matariam. Ele achou mais sábio seguir os conselhos da jovem, ela estava lá a muito mais tempo que o viajante.
Para, um misto de, infortúnio e felicidade do astronauta, a barraca fora projetada para apenas 2 pessoas, o que obrigava os dois a estarem muito próximos, infelizmente a princesa optou por deixar Alarme, que já dormia há algumas horas, entre os dois... O início de noite foi meio complicado, não havia muito espaço para se movimentar dentro da barraca, e Eustáquio não queria acordar os dois outros ocupantes, mas estava sofrendo de uma certa insônia. Então ele aproveitou as horas para decorar cada detalhe do rosto da princesa.
Ela tinha um rostinho delicado e bem pequeno, os olhos pareciam estar no lugar certo, ela não tinha olheiras, as sobrancelhas eram finas mas bem desenhadas e demarcadas, o nariz era pequeno e empinado, boa genética da realeza, e por fim chegou aos lábios, lábios carnudos, rosados, lábios tão sedutores... Tão bem feitos... Tão
- Você vai ficar olhando por quanto tempo? - perguntou a princesa em tom jocoso
- O que? Eu não... O que? Eu não estava, eu... É... Eu, o que? Não sei do que está falando - Eustáquio ficou completamente sem graça, fora pego de boca na butija.
A princesa teve um ataque de riso silencioso, afinal ninguém podia acordar alarme, ou não teriam VÁRIAS horas de sono à frente. Então os dois se contentaram em se olhar acaloradamente por vários minutos, e vários minutos. As horas passavam lentas, os dois podiam ouvir as respirações irregulares, e o clima que estava rolando... Então o sono foi pegando, Eustáquio não queria desviar o olhar daquela oferenda dos céus, mas estava tão cansado, apreciar de olhos fechados não parecia errado....
Os dois acordaram, se espreguiçaram, deram bom dia como se nada da noite passada tivesse acontecido, o estrangeiro decidiu sair e verificar a situação. A boa notícia é que a nave se encontrava a uns 50 metros de ambos esperando para levá-los, e então ele olhou para  o outro lado.
- Princesa, temos um problema.
- Que problema? A nave está aqui?
- Está sim... E seu pai também...
Alarme acordou.

23 dezembro 2015

A História de Eustáquio (Capítulo 19 - Quase Lá)

- Seu pai nunca irá me perdoar por isso - Lamentou-se Eustáquio. Ele, Dianna e Alarme contornavam um pântano. Ainda faltavam horas para o anoitecer, e até lá o grupo pretendia já ter encontrado a nave do viajante.
- Ele vai esquecer algum dia, tenho certeza. Afinal tenho tantas irmãs - A princesa nunca perdia a alegria, sempre sorrindo.
Como Dianna conhecia bem a região, não foi difícil para o grupo chegar até o local desejado, depois de algumas horas estavam lá.
- Vamos montar um pequeno acampamento aqui, ela ainda não chegou mas acredito que pela manhã a nave esteja aqui - Explicou Eustáquio.
- Ela funciona mesmo sem ninguém dentro? Como ela se chama? - Dianna olhou curiosamente para o forasteiro.
- Bem, chama-se EVA. Possui uma inteligência artificial, que possibilita a comunicação... - Eustáquio percebeu que o que estava falando fazia pouco sentido para a princesa - Você verá, Dianna. Você verá.
- Ele está tão acomodado aqui... - Disse a princesa, referindo-se ao pequeno Alarme.
- Será que ele vai sentir falta desse lugar?
- Não tenho certeza, é tão pequeno para lembrar daqui.
- E você, vai?
Ela olhou Eustáquio no olhos e ele soube que dentro de sua cabeça ocorria uma tempestade de sentimentos e pensamentos. Ele não esperou a resposta, e ela não veio.

Longe daquele lugar, um pai recebia a notícia de que sua filha havia desaparecido junto com um certo forasteiro. Irado, ele ordenou que mais de vinte soldados levassem suas montarias para procurar pela princesa e trazê-la, usando de força bruta se necessário, até o palácio real. O forasteiro deveria morrer e a cabeça seria usada pelo rei como apoio para os pés.

Alarme dormiu tranquilamente.


17 dezembro 2015

A História de Eustáquio (Capítulo 18 - Vamos embora)

A princesa formalmente pediu permissão à rainha para se retirar da reunião, que encarou tudo com muito bom humor e compostura, porém Eustáquio que estava logo atrás da moça, percebeu alguns olhares reprovadores de alumas das damas nobres mais velhas. Porém não teve muito tempo para pensar no assunto pois logo se deparou com o par de meteoros encarando-o de perto e uma pressão no peito que significava que a princesa estava o empurrando pedindo passagem.
A jovem foi levando-o por uma série de corredores e salões luxuosos que o convidado acabou embaralhando ao longo do caminho, sinceramente estava disperso prestando atenção em um par de curvas bem delineadas que se movia graciosamente logo a sua frente. A princesa devia sentir o olhar de sonda do astronauta pois ficava em silêncio absoluto não fosse por alguns pequenos gemidos quase inaudíveis que Eustáquio facilmente podia ler como "pare de olhar, concentre-se no objetivo" mas como não sabia o que viria a seguir, tratou de mirar os glúteos da princesa até decorar cada milímetro deles.
- A ala do castelo em que instalei Alarme se encontra mais afastada, não podia deixar que meus pais soubessem, não sei qual seria sua reação. A criadagem se dispôs a cuidar do menino a meu pedido, visito-o uma ou duas vezes por dia para saber como está.
Após ambos se esgueirarem pelos vapores das panelas das cozinhas reais, Eustáquio percebeu o quanto a princesa era amada, inclusive pelos serviçais do castelo, ela recebia sorrisos sinceros por onde quer que passasse.
Passados dois minutos adentraram um quarto com várias camas, aparentemente era o dormitório feminino das cozinheiras. Numa cama mais afastada da porta se encontrava uma das cozinheiras ninando uma criança no colo. Eustáquio sentiu uma mescla de alívio e confusão por não saber direito o motivo de estar tão aliviado.
Pensando bem, desde que chegaram ao planeta, odiava o menino, mas depois de ter percebido que não estava mais com ele, entrara em desespero. Já o considerava da família. Seguiu a princesa até o leito da criança achando suas passadas lentas demais, sentia a necessidade correr, agarrar o moleque e sumir dali; logo que chegaram foram recebidos por um bebê dormindo tranquilamente, a mulher passou a criaturinha gorducha aos braços de Eustáquio, que relutante aceitou a "oferta" rosada.
Instintivamente (acreditava) o forasteiro sorriu tranquilamente ao saber que o pestinha se encontrava são e salvo onde pertencia, em seus braços. ONDE PERTENCIA? Bem, era melhor não se ater muito aos detalhes no momento.
- E agora? - Perguntou Dianna olhando diretamente para um modelo de "astronauta papai" ninando seu filho carinhosamente.
- Agora eu e essa praguinha temos de ir embora, já ficamos demais por aqui. - Respondeu Eustáquio perdido em pensamentos
- Muito bem, então temos de preparar nossa partida. - Disse Dianna decidida, e foi virando-se
A confusão era perceptível estampada nos olhos do estrangeiro
- Nossa partida? - Disse, e engoliu em seco.
Dianna virou-se e sorriu como só ela sabia derreter os homens
- Nossa, eu vou com você.

09 dezembro 2015

A História de Eustáquio (Capítulo 17 - Calendário, calendário meu...)

- Dar-lhe-ei a mesma resposta que às suas filhas, Vossa Majestade. Não sou um cidadão desse reino, sequer sou desse planeta, não me vejo no direito de escolher um lado em assuntos políticos. Também não vejo motivos para que minha escolha seja significativa de fato. Além de, é claro, fazer com que um dos lados me acolha enquanto outro queira separar minha cabeça do corpo.
Eustáquio perdeu-se em seu discurso "épico", imaginando como seria aquele planeta décadas depois, quando os artistas cantariam sobre o forasteiro que recusou-se a participar de uma guerra política. Mas foi afastado de seus pensamentos quando reparou o semblante do rei, sem dúvida alguma a resposta não havia agradado. O fim de sua resposta foi resumido em:
- Aliás, partirei amanhã para localizar o veículo que trouxe-me até aqui, Vossa Majestade.
- Que assim seja, não desperdiçarei meu tempo com formalidades, forasteiro. Pode acomodar-se em meu castelo quanto tempo for preciso até sua partida, meus serviçais estão a sua disposição. Agora tenho uma reunião importante com o Conselho.
O rei ergueu-se e saiu da sala sem olhar para trás, Eustáquio percebeu então que não veria mais o homem. Mas não havia tempo para lamentar seus atos, ele queria ver a princesa Dianna e dar a notícia de sua partida.
Eustáquio terminou seu desjejum e agradeceu os serviçais, com a intenção de que algum deles lhe dissesse onde estavam as princesas. Descobriu que todas elas participavam de "reuniões femininas" como eram apelidadas os encontros onde mulheres da realeza reuniam-se para tomar chá.
Seria o forasteiro tão importante e rude a ponto de interromper tal evento e roubar Dianna só para si por breves instantes? Eustáquio afastou essa ideia romântica e tola de seus pensamentos e dirigiu-se até o salão onde o encontro ocorria.

- Você o quê? - Perguntou Dianna. Eustáquio lutou para concentrar-se na mensagem que devia transmitir, evitava então o olhar da princesa.
- Eu partirei, amanhã pra ser mais exato. Preciso encontrar minha nave e tenho pouco tempo para isso, mas parece que há algo errado, sinto como se estivesse esquecendo de algo.
- Alarme.
- Oi? Não ouvi nenhum alarm...
- Não é isso - Interrompeu a princesa - você está esquecendo da criança, Alarme!
Aquelas palavras foram como um balde de água fria jogado na cara do forasteiro em pleno inverno. Apenas uma pergunta lhe restara:
- Onde está a criança?!


02 dezembro 2015

A História de Eustáquio (Capítulo 16 - Escolha de Lados)

- Perdão Vossa Majestade, ao que parece ontem foi um dia muito mais cansativo do que imaginei que seria. - Eustáquio tentou remediar a veia saltando entre as sobrancelhas do rei, denotando uma óbvia onda de mal humor.
- Tudo bem, viajante, creio que não posso pedir pontualidade de um estrangeiro, ao que me parece nem todas as raças interestelares compartilham do interesse de chegar na hora marcada. - O rei não mostrou muito esforço pra sorrir. Mas Eustáquio não estava em posição de cobrar coisa alguma do homem, então simplesmente sorriu de volta e se sentou à mesa do chá.
Após alguns segundos de silêncio, o rei estalou os dedos e um homem baixo com um bigode invejável se pôs a proclamar em voz baixa as notícias principais do dia, ao que parecia isso era uma invenção de Dianna, ela chamava de "notícia rápida". Sorriu com o vislumbre da terceira princesa em sua cabeça... Quando começara a chamar pelo primeiro nome? Será que era cordialmente impróprio? Não sabia. Sorriu ao pensar nisso também, e na hipótese de ter de se referir a ela como "minha terceira princesa" e fazer reverência.
Enquanto o homem ia atualizando o rei dos assuntos banais do império, pode observar a beleza da vista da "Varanda do Revoar da Garça", um anexo da torre sul do palácio, se tratava somente de um piso extremamente reforçado de forma circular que se projetava da torre, coberto e cercado de balaústres que davam um toque maternal ao lugar. A vista dali era incrível, à frente, as Florestas Gorgolejantes verdes se estendiam exibindo formas e cores que eram colírios aos olhos. Abaixo, 350 metros de queda livre num penhasco que terminaria nos pântanos subterrâneos e piscinas de lama.
O rei, ao terminar de ouvir as notícias do homem, o dispensou e se virou para o forasteiro.
- Muito bem, mesmo que adiada, ainda quero minha resposta. - Disse o homem calmamente mirando os olhos do convidado.
- Como? - Eustáquio pareceu muito confuso.
- Minhas duas filhas mais velhas o visitaram durante a noite senhor Eustáquio. Achou que isso passaria despercebido ao meus olhos? Um rei tem lá seus meios, mas agora diga, de que lado dessa "guerra" o senhor se encontra?
E agora? O que diria o astronauta? O sangue gelou, o mundo pareceu parar. "Acho que estou morto" pensou logo antes de abrir a boca.


25 novembro 2015

A História de Eustáquio (Capítulo 15 - Sobre Mulheres Indelicadas)

- Como eu disse, princesa. Não pretendo ficar aqui mais do que alguns dias, na verdade logo precisarei partir. Não quero parecer alienado, mas não posso me dar o luxo de entrar em conflitos políticos.
- Diz isso porque pretende se juntar aos rebeldes, não é?! Minha irmã já lançou seu feitiço sobre ti... - A sub-general parecia irada, porém, uma ira controlada (se é que isso é possível).
Eustáquio percebeu que seu escapismo natural não estava funcionando, apenas havia piorado a situação. Então tentou uma nova abordagem:
- Sabe, eu não sei lutar e não sou muito corajoso. Como poderia ajudar sua causa se mal luto pela minha?
- Silêncio! Algumas pessoas não escolhem a classe e a importância com as quais nascem, ou ganham. Infelizmente você ganhou uma importância notável aqui no reino, e logo coragem e habilidades não serão nada. Se você for o foco das atenções, o povo não terá tempo de ver o massacre que pretendemos realizar.
- E você acha que eu vou concordar com isso? - Eustáquio olhava para a princesa com um ar de desprezo.
- A questão não é se você concorda ou não, logo verá que seu sentimentalismo é o que fará mergulhar de cabeça na política do planeta. Até lá, fique com sua fama e sua vidinha - A mulher soltou Eustáquio e pôs um saco preto em sua cabeça. Ele relutou:
- Acho que eu não preciso diss...
- Quieto! Você não tem escolha.
- Você é sempre assim com seus possíveis aliados?
Não houve resposta. Eustáquio acordou horas depois, deitado em sua cama. A porta batia novamente, Eustáquio estava pensando em pedir para que dois guardas ficassem do lado de fora do seu quarto, apenas para evitar as infinitas batidas.
- Quem é?! - Ele gritou, sem sair da cama.
- Senhor, senhor - Um homem bem vestido e educado entrou no recinto - Está atrasado para sua reunião com o rei. Aliás, foi muito indelicado faltar ao almoço que Sua Majestade organizou para o senhor.
Eustáquio deixou-se cair na cama novamente enquanto soltava o ar dos pulmões. Queria apenas sair daquele planeta, logo...


19 novembro 2015

A História de Eustáquio (Capítulo 14 - A Anti-resistência)

Antes de acordar acabado, como se não tivesse dormido, o subconsciente do nosso pobre protagonista resolveu aprontar algumas peças com ele. Foi uma noite divertidamente assustadora, tudo começou bem... Numa clareira ensolarada de rosas brancas ele se encontrava sorridente correndo em direção à coisa mais bela que já havia visto, a princesa Dianna num vestido de noiva à moda da casa Meteoryon branco com detalhes em marfim e dourado, com os lábios pintados de azul-cometa, usando uma coroa dourada adornada de diamantes e safiras. Ela o esperava de braços abertos num sorriso de criança que acaba de ganhar o brinquedo mais esplêndido que já existiu (o que na verdade já existe, foi inventado pelos Euroglomanos em X89 a.Parsec e ninguém sabe ao certo o que é, mas na embalagem consta o nome "o brinquedo mais esplêndido que já existiu").
Mas conforme ia se aproximando, pode notar leves distorções em seu mundo de fantasia, que aos poucos ia rachando. Percebeu que a terceira princesa possuía duas cabeças agora, com olhos esbugalhados e dentes enormes, e agora eram quatro, depois seis, depois oito. Num piscar de olhos o vestido lindo de casamento havia se tornado parte da pele de uma Necronéia gigante, pronta para devorá-lo.
Assim que piscou novamente, estava numa sala escura, com os pés e mãos atados. Sentiu uma necessidade lasciva de água, a garganta já lhe doía, também sentia os dedos dos pés frios, sem sapatos encostando no chão rústico. Era um local sem iluminação nenhuma, a não ser por uma tocha na parede. Podia-se claramente ver que era um cômodo pequeno sem janelas, pelo frio devia ser subterrâneo. Percebeu que estava sem as roupas, somente lhe tinham sobrado as calças, se bem se lembrava tinha ido dormir exatamente assim na noite passada, mas como fora parar ali? De repente a porta abriu
- Desculpe surrupiar-lhe do leito tão tarde da noite senhor campeão, foi algo... Necessário. - Uma voz desconhecida se demorou na última palavra de forma perigosa e adentrou o cômodo trajando couro apertado revelando formas curvilíneas de tirar o fôlego. A princesa Apogeae lhe sorriu com malícia.
- Pr-princesa...? - A cara de espanto do astronauta foi tamanha que prolongou o sorriso maníaco da segunda princesa do império Meteoryon.
- Parece que você ouviu só um lado da história, deve estar confuso, então eu devo lhe contar o outro lado. - Disse ela deslizando o dedo pelo peito nu do pobre homem.
A criatura maníaca aparentemente mostrava sinais de estar acordando novamente "LOGO AGORA?". A mulher em couro puxou uma cadeira simples de madeira e se prostrou de frente para o homem amarrado. - Deixe-me apresentar como Sub-general da Anti-resistência.
- E quem seria o general? - Perguntou Eustáquio já com medo da resposta.
- O meu tio. - Dessa vez não houve nem rastro de emoção no sorriso amarelo da Sub-general.


11 novembro 2015

A História de Eustáquio (Capítulo 13 - O Perigo Mora Ao Lado)

Depois de uma longa conversa, Eustáquio estava dividido entre pensamentos sobre a Resistência, e a sensação ruim que sentia por ter visto de maneira maliciosa a visita de Perigeae.
- E então, o que me diz? Está conosco? - Perguntou a princesa.
- Eu... vou ser sincero, princesa. Não pretendo ficar no seu planeta por muito tempo e não sei se devo intrometer-me em assuntos políticos.
- Eustáquio, há muito tempo todos fecham os olhos para a situação do planeta, reinos divididos, temos que sobreviver dia após dia. E a pior parte é saber que meu tio está envolvido com as tentativas de assassinar meu pai.
Eustáquio olhou nos olhos da princesa e conseguiu ver uma chama de esperança murchando. O homem amaldiçoou sua fraqueza e concordou:
- Certo, se vossa alteza acha que o rei irá me ouvir... Eu tentarei convencê-lo de que os riscos da convivência com outros reinos. Mencionarei cautelosamente os escravos das minas Gra'ar - O forasteiro passou a mão pelo rosto como se limpasse sua face, praguejou algo inaudível sobre estar cansado. A princesa despediu-se e saiu do quarto fechando a porta suavemente.
Eustáquio deitou-se sem cerimônias, apenas pulou na cama e adormeceu.

"Corra, corra. Corra! Eustáquio, você vai entrar em apuros se continuar essa jornada. Revirar os baús do passado de tal maneira é inaceitável, os deuses ficarão furiosos caso mude a situação. Eustáquio, escute o que estão dizendo, cada suspiro de cada ser nesse planeta te diz para fugir, você é fraco!"
Suor. Muito suor. Eustáquio acordou pouco antes do amanhecer, sentia como se tivesse recém saído do banho. Seu corpo parecia arder em febre, porém, não sentia dor ou algo do tipo. Apenas o peso que suas decisões geravam, isso era tudo o que lhe sobrara.


05 novembro 2015

A História de Eustáquio (Capítulo 12 - A Resistência)

Ao soar da terceira batida, Eustáquio já se encontrava de pé abrindo a porta com um sorriso contido. Mas ao abrir teve uma grande surpresa, não era a terceira filha do Imperador, e sim a primeira. Perigeae Meteoriyon.
- Olá forasteiro. - O olhar travesso nos olhos da moça de pele alva o assustaram por um segundo - Teria um momento?
- Eu... Eu acho que não seria uma boa hora para ter comigo princesa, está tarde e ouvi dizer que as paredes dos castelos têm ouvidos. - Uma gota de suor brotou na têmpora direita do cavalheiro, o que diabos a primeira princesa do império queria com ele? Esperava que fosse algo bobo.
- É assunto de extrema urgência, não pode esperar nem mais um minuto - Eustáquio mal pode terminar de ouvir a frase e logo fora arremessado quarto adentro dando passagem ao vestido esvoaçante de dormir da primeira princesa.
Eustáquio tinha o pulso descontrolado, já estava todo suado, como negaria algo a uma princesa? Em todos os seus anos perdido na vida intergaláctica ainda se surpreendia em como sabia ser polido o suficiente para não ter sua cabeça cortada pelo rei por desacato, como negar algo à alguém que sempre tem tudo o que quer?
- Então, hum, é... Pr-pri-princesa, eu... - Eustáquio tentou encenar sono - Estou tão sonolento - Falhou miseravelmente.
- Calma soldado, não vim testar seus limites, eu os vi hoje na arena, e digo que os conheço bem. - Um olhar afiado foi o suficiente para calar a boca do astronauta.
Agora que havia percebido, mas a filha mais velha do imperador Nero possuía uma beleza de mesma altura da irmã caçula. Suas íris eram mais profundas, ao invés de um par de meteoros solitários, aquelas órbitas abrigavam uma tempestade solar, banhando-se de uma luz dourada que ele nunca havia visto. Algo se agitara em seu interior, algo incontrolável e insaciável, oh não, ele estava suando frio, esperava que ela não o notasse pela falta de claridade, como sairia dessa? Os lábios cheios e delineados poderiam ser alvo do desejo de uma multidão, e o leve decote que tornava visível um início do contorno dos seios de tamanho, médio? Não sabia muito de tamanho de seios, mas achava que fossem médios; O PONTO NÃO ERA ESSE, qual era mesmo? A criatura incontrolável se agitava novamente, foi preciso dar um passo para trás e uma expirada funda para retomar os sentidos... Era importante, isso era... AH, sim. Como negaria algo se nem mais o queria? Como poderia permanecer puro para sua princesa? Para Dianna?
- Olhe princesa, eu não sei se consigo me conter por muito mais tempo, mas, mas eu realmente gosto da sua irmã, acho que temos uma conexão especial, e se fizermos isso eu posso perder tudo. Então lhe peço humildemente que não faça isso comigo. - Eustáquio se ajoelhou em desespero aos pés de Pirgeae.
- O quê? Já sabes o motivo de minha vinda? - Ela parecia realmente surpresa
- Bem, ficou meio óbvio, não? O decote, a vinda na surdina. - Ele puxou a gola da camiseta e engoliu em seco, era constrangedor falar sobre o assunto.
- Decote? - Então ela finalmente leu as entrelinhas... E caiu numa gargalhada surda, algo que Eustáquio considerou rude e nunca pensou que uma princesa da alta-classe faria. Dois minutos depois ela se aquietou e ainda com lágrimas nos olhos lhe disse sorrindo. - Não estou aqui pelo motivo que concluístes, jovem cavalheiro. Estou aqui para convidá-lo para a Resistência!

29 outubro 2015

A História de Eustáquio (Capítulo 12 - O Beijo)

- Sabe que meu pai está furioso, certo? - Perguntou a princesa Dianna.
- Por pedir para encontrá-la a sós? Acredito que podemos contornar essa situação - Eustáquio sorriu.
Eles caminhavam por um belo jardim com flores enormes e pássaros ainda maiores que cantavam e corriam com a aproximação da dupla. Eustáquio estava boquiaberto com a variedade de espécies e cores que via, então Dianna decidiu conduzir a conversa.
- Não está acostumado a ver seres belos, arqueólogo?
- Não enquanto ainda estão vivos - Disse ele, sorrindo. Dianna retribuiu o sorriso, fazendo com que Eustáquio suspirasse lentamente.
- Trabalho interessante o seu. Descobrir do passado estudando os restos... o pó - A princesa pareceu divagar em seus pensamentos.
- Falando assim parece um trabalho vazio. Amo minha profissão pela forma com que possibilita a interação com povos já extintos, com crenças que nós desconhecemos no vasto universo. É isso que falta para as pessoas do espaço, na minha opinião. Crer em algo.
- Certamente elas acreditam em si mesmas...
- Autoconfiança é algo pífio perto das religiões que deixamos se perderem. Não quero que todos os seres sejam escravos, servos de uma crença. Mas todos os povos que descobrimos acreditavam em um deus e isso os mantinha na linha, os unia. Nós preci...
Eustáquio foi interrompido quando Dianna rapidamente aproximou-se, beijando-lhe. O beijo foi demorado e cheio de "expectativas", como o homem preferiu classificar, foi um beijo diferente por vários motivos. Um desses motivos era o fato da princesa Dianna ter a língua partida ao meio, característica que até então, Eustáquio desconhecia.

O beijo encobriu toda a janta e as celebrações feitas naquela noite. Quando se deu conta, o arqueólogo já estava deitado em uma grande cama redonda com lençóis vermelhos. Sozinho, lamentou-se.
De repente, ouviu batidas na porta de seu quarto.


22 outubro 2015

A História de Eustáquio (Capítulo 11 - Enviado do Deus da Morte e Heavy Metal)

A plateia olhava Eustáquio num misto de exaltação, desconfiança, excitação e nervosismo. Logo um burburinho surgiu e se tornou uma turba descontrolada. Logo, irritada com o barulho que se sobrepunha à música, a todas as cabeças da Necronéias rugiram em protesto, o que se mostrou totalmente efetivo... E assustador, gradativamente a plateia foi se calando ou baixando o tom de voz até que o soprar do vento nas colunas da arena fosse ouvido.
Os conselheiros do rei logo se mexeram e correram ao soberano cochichar em seus ouvidos. Não demorou muito para que o mesmo parasse de alisar a espessa barba laranja-acobreada e se pusesse de pé. O público se voltou todo a ele, inclusive o monstro no meio da arena, esperando sábias palavras, porém o que ouviram foi diferente:
- Era pra esse bicho fazer isso? O quê? O microfone está ligado? - O rei se atrapalhou um pouco mas retomou a postura real - Bem, viajante do desconhecido, creio que se mostrou digno de viver... Apresente-se
Eustáquio fez o que sabia fazer de melhor, improvisou.
- Eu sou o enviado do deus da música... - Vendo que ninguém havia esboçado reação nenhuma, completou - E da MORTE! - O público foi a loucura, olhares amedrontados, crianças chorando, um verdadeiro pandemônio.
- SILÊNCIO! - Ordenou o Rei - E de que Deus tanto falas?
Eustáquio congelou, que nome inventaria? Não sabia nada sobre mitologia interestelar, olhou no instrumento que empunhava em mãos e procurou um nome.
- Hã... Gib-Gibson... Gibson o Deus da Morte e Heavy Metal!
O rei coçou a barba novamente não parecendo muito convencido, seus conselheiros a postos cochicharam em seu ouvido, Eustáquio tremia por debaixo do traje térmico - Bem, nunca ouvi falar de tal santidade, porém o Império Meteoryon abre as portas para toda e qualquer cultura que venha em seu auxílio. Pedimos perdão humildemente por nosso erro e o convidamos ao Palácio Real num banquete para que nos conte mais sobre sua cultura e nos redima com seu, hã, Deus.
O rei bateu as palmas e as grandes portas da arena se abriram. Os olhos de duas das cinco cabeças da Necronéias brilharam em angústia, Eustáquio, que agora se sentia ligado num elo de empatia com a criatura, sentiu seu coração mole pesar.
- Esperem, antes de tudo, hã, ainda estou bravo por ter sido incomodado e meu Deus comigo concorda. Acho que não lançaremos uma maldição brutal sobre o seu povo se o senhor puder me conceder dois desejos.
- Bem... Se é de uma maldição divina antiga que estamos falando, acho que posso ouvir seus desejos de bom grado.
Eustáquio parou de suar frio, quanto mais falava, mais sua auto-estima o empurrava aos holofotes.
- Primeiramente, gostaria que essa criatura, QUE É TOTALMENTE INOCENTE, fosse liberta de suas amarras aqui e levada ao seu local de origem, bem como outras quaisquer neste planeta com o mesmo propósito.
O rei interveio antes que Eustáquio pudesse falar do segundo pedido - Mas e quem vai comer os injustos e gladiadores perdedores? Quem vai cuidar do controle populacional e... - Eustáquio lhe dirigiu o olhar mais frívolo e irado que teve coragem de ousar dirigir, e o rei aos poucos foi baixando a voz e mudando o tom - Bem, nunca gostei mesmo desse tipo de espetáculo bizarro, considere feito. - Eustáquio notou o aborrecimento brotando nas sobrancelhas do soberano - E o segundo pedido?
Eustáquio engoliu em seco e não se demorou - Gostaria que sua terceira filha me mostrasse o lugar antes do banquete.
- COMO DISSE?


14 outubro 2015

A História de Eustáquio (Capítulo 11 - Tudo Se Resolve)

Eustáquio corria o mais rápido que suas pernas permitiam, atrás dele, o monstro de várias cabeças.
- Se você quer saber, acho que o problema de ter tantas cabeças assim é saber qual delas manda - Filosofou Sombra (esse era o nome de última hora que Eustáquio deu para seu clone imaginário).
- Qual delas... você acha... q-que manda? - Ofegou Eustáquio.
- Bem, eu arriscaria a do meio. Mas a natureza não pode ser tão óbvia assim.
- Talvez cada uma pense por si - Eustáquio deslizou na areia e escondeu-se atrás de uma pedra. Não era um atleta nato, mas estava em forma.
- Eustáquio, seu gênio! É isso mesmo. Você só precisa colocar uma cabeça para brigar com a outra.
- Já ouviu a frase "Falar é mais fácil que fazer"? - A criatura se aproximou do esconderijo rochoso e pôs-se a vasculhar os arredores.
- Precisa falar na língua dela pra dar certo. O que essa coisinha entenderia?
Nesse momento a Necronéias soltou um grito estridente, havia avistado sua presa. Eustáquio correu entre as pernas da criatura e não parou até chegar ao paredão que o prendia na arena. E lá avistou o que seria a sua salvação. Um instrumento musical muito semelhante aos violões digitais que já havia tocado.
Na infância fora forçado a escolher algum "hobby", acabara por escolher a musica. Através de vídeo-aulas aprendeu a tocar uma variedade enorme de instrumentos, depois de certo tempo passar a gostar da coisa, porém era um prazer inútil. Inútil até aquele exato momento. O violão estava nos braços de um senhor que parecia criar no ato uma trilha sonora fúnebre para a futura morte de Eustáquio. O arqueólogo correu e usou a parede para ganhar impulso, agarrou e puxou o violão das mãos do idoso.
- Desculpe-me, senhor- Gritou em seguida.

A Necronéias estava se aproximando lentamente, havia perdido o rastro de sua presa.
- Criaturazinha burra, hein - Disse Sombra.
- Burra. Sim. Mas mortal - Eustáquio suavemente tocou algumas cordas do instrumento e sentiu sua vibração, não fora o suficiente para chamar a atenção do monstro.
- Sabe, uma vez eu ouvi histórias sobre um estilo musical engraçado. Os músicos se fantasiavam e tocavam como verdadeiros guerreiros flamejantes - Os dedos deslizavam pelas cordas e lentamente Eustáquio encontrou uma melodia em seu interior. Cantou:

Monster, I am humble
For tonight I understand
Your royal blood was never meant to decorate this sand
You suffered great injustice
so have thousands before you
I offer an apology, one long overdue


A criatura correu na direção de Eustáquio ao ouvir os primeiros acordes da canção, porém, impressionantemente ao deparar-se com melodia tão deprimente e espontânea ele fraquejou. Eustáquio aproveitou o tempo para prosseguir:

I am sorry
Monster, I am sorry
Hear my song
I know I sing the truth
Although we were breed to fight
I reach for kindness in your heart tonight

And if you can forgive, and if you can forgive
Love can truly live

Todos na arena ficaram em silêncio até a última nota da canção, observando a reação da Necronéias. Algumas cabeças pareciam ter sido seduzidas pela musica enquanto outras se lançavam na direção de Eustáquio. Logo a briga começou, cabeças cravando seus dentes nos pescoços de suas companheiras de corpo, sangue jorrando pelas feridas. Ao fim restaram apenas três cabeças feridas, porém inteiras. E a criatura curvou-se diante do único ali que compreendia sua dor. Eustáquio.
(Anos mais tarde Eustáquio descobriu que tanto a população do planeta quanto o monstro, não entenderam a letra de sua musica).


07 outubro 2015

A História de Eustáquio (Capítulo 10 - A Presa)

Eustáquio se viu numa daquelas situações em que se assiste a vida esvair na frente dos olhos com direito a trilha sonora de piano. Se viu criança, correr e cair por aí, se viu moleque, subindo nas árvores de Beta 53, admirou os pores-do-sol que presenciou no início de sua adolescência, relembrou do nome de cada lábio que roçou os seus durante a vida, revivenciou os momentos de depressão por solidão, lembrou dos amigos há tanto esquecidos, das desilusões amorosas, das vezes que voltou na chuva para mascarar outro tipo de pingo de água, do sofrimento que passou na pobreza, ou quando perdeu tudo, lembrou, e vivenciou uma vez mais o sabor das lágrimas salgadas da saudade e solidão.
As tais necronéias chegaram, O QUE DIABOS ERA AQUILO? O que quer que aquilo fosse, lembrava muito bem uma hidra, um corpo reptiliano com pernas grossas e atrofiadas, que se repartia em diversos ramos de pescoços longos que terminavam em carrancas com fileiras de dentes amarelados e pontiagudos, realmente uma hidra, e parecia faminta.
- Necronéias, necronéias... Necronéias... - Balbuciou o astronauta. Onde já ouvira esse nome? Sabia que já havia lido esse nome em algum lugar. Provavelmente na enciclopédia das bestas místicas Selva Argentea*, dita galáxia mãe de todos os males. Eustáquio gostava muito de ler, pois não tinha muitos amigos no auge da sua adolescência, e a falta de dinheiro o obrigava a ler o que quer que estivesse me promoção. Havia um trecho sobre essas tais necronéias tambem na enciclopédia, mas foi a tantos anos que... - NECRONÉIAS, CLARO. As parentes distantes dos grandes aligadores cromados, e como toda besta mística grande e idiota, não tem boa visão. Devido ao fato de cuspirem fogo e precisar manter sua glângula flâmica constantemente em chamas para um rápido abate, suas narinas estão entupidas de cinzas, e a detecção reptiliana de calor não funcionaria graças à roupa térmica de Eustáquio. Ele estava salvo. Ou talvez não...
A besta foi liberada das grandes correntes e se pôs em posição de caça, havia sentido gosto de medo a distância, e sabia que não estava sozinha naquela arena. Então foi circulando o lugar, cercando sua vítima, quem quer que fosse. Eustáquio conhecia BEM aquela estratégia, é típica de animais de porte colossal, ele também assistia muita televisão cultural, como eu disse, um completo sozinho estranho... Enfim, se manteve imóvel enquanto a necronéia silvava em vão a procura dele, até que por vontade divina ele não consegue segurar um espirro. Numa fração de segundos, cinco cabeças sorridentes salivavam em sua direção, com suas órbitas foscas focadas totalmente nele.


30 setembro 2015

A História de Eustáquio (Capítulo 09 - O Desafio)

Eustáquio caminhava pelo corredor que o levaria ao seu possível fim, atrás dele estava a princesa Dianna com Alarme em seu colo. Que belo fim de carreira, pensou o homem. Nenhuma descoberta  impressionante como arqueólogo, vão demorar pelo menos um mês para notarem que sumi.
Uma luz surgiu no fim do corredor e os guardas que escoltavam Eustáquio apertaram o passo, estavam mais ansiosos para o julgamento que seu prisioneiro.
- Como assim você não está ansioso? Julgamentos não são sempre tão empolgantes?!
Eustáquio teria pulado para o lado com o susto, mas movimentos bruscos poderiam ser mal interpretados. E ainda por cima, ele sabia que era o único que podia ver a figura que dissera a frase, seu "clone" imaginário.
 A figura continuou:
- Você será julgado pela civilização que redescobriu, quantos arqueólogos já fizeram isso? Bem, quantos sobreviveram para contar a história? - O homem parecia divertir-se com a enrascada que Eustáquio se metera.
Esse, pensou Eustáquio, é o preço da fama. Já aprendi isso muito tempo atrás, quando levei Phills e seu amigo para um planeta desconhecido e os desgraçados me roubaram meses de trabalho.
- O que vai acontecer com você quando eu morrer? - Sussurrou o verdadeiro Eustáquio.
- Não sei, talvez uma vida após a morte? - O homem gargalhou - Pare de levar tudo a sério, você nem sabe o que vai acontecer lá! Talvez um grupo de baleias voadoras chegue do céu e salve o dia, como foi no planeta Zephiros, lembra?
Eustáquio para sua cópia, incrédulo. E o homem leu seus pensamentos, afinal, estava dentro da cabeça dele mesmo.
- Não foi o que eu quis dizer - Desculpou-se - Só estava tentando descontrair.
Eustáquio foi banhado pela luz do dia e pelos gritos de uma arena lotada. Chegara a hora. Os guardas acompanharam Eustáquio até uma base poucos centímetros mais alta que o chão e acorrentaram seus pulsos em ossos enormes presos à ela. Dianna e Alarme tomara seu lugar em uma plataforma enorme ao centro da arena, e ali estava ele, sentado em um trono digno de um imperador. Nero Meteoriyon.

- Povo de Nebulozzia Paraglaidius - Disse o imperador, erguendo-se de seu trono. A arena ficou em silêncio absoluto ao ouvir a voz de seu poderoso líder - os fracos e covardes não têm vez aqui em nosso planeta. Diante de vocês está um invasador vindo do céu. Minha filha Dianna, bondosa como sempre, sugeriu que julgássemos tal criatura como um dos nossos.
Eustáquio ouviu sons de decepção nas arquibancadas, isso deveria ser um bom sinal para si, imaginou. Mas o imperador ainda não terminara.
- Eu aceitei a sugestão, porém, para que isso aconteça ele deve provar que não é fraco e covarde como aparenta ser.
Os gritos de aprovação começaram e ficaram ainda mais altos quando Nero gritou:
- Tragam as Nacronéias!



23 setembro 2015

A História de Eustáquio (Capítulo 08 - Esclarecimentos Devastadores)

- O que é alarme? - Perguntou um par de meteoros curiosos
- O que? - Eustáquio não estava agindo como idiota por surpresa, essa já havia passado, estava deslumbrado com a figura, não importava por quanto tempo olhasse para ela, não se cansaria nunca.
- Está me deixando desconfortável, vire os olhos pra outro lado. - A porção de pôr-da-lua se acobertou mais nos trapos. Mesmo assim o astronauta ainda estava embasbacado pela beleza de suas íris.
- Desculpe o mal, jeito, ó vossa, graciosidade, digo, senhorita... Meu nome é encantado, muito Eustáquio em conhecê-DIGO... Meu nome é Eustáquio, muito encantado em conhecê-la, a ti, a você, a vossa alteza, senhora, senhorita... Digo-
- Não se incomode com pronomes de tratamento, senhor encantado - um risinho encantadoramente agudo ecoou por entre sues lábios - O prazer é meu, eu sou a Terceira Princesa de Nebulozzia Paraglaidius, Dhellyora Dianna Starlactea Ghalaedora Flictius Meteoriyon. - Vendo a grande surpresa do receptor da mensagem, emendou - Mas todos os conhecidos me chamam de Dianna.
- A- Ah... Claro... Muito prazer senhorita Dianna. Mas como sabe minha língua?
Ela retirou seu véu pouco chamativo e esfarrapado - O império Meteoryon é conhecido no mundo por ser o guardião intergaláctico de culturas a muito esquecidas, o que inclui a sua, terráqueo.
- Terráqueo? É isso que eu sou? Um te... Terráqueo? - Eustáquio parecia aliviado e confuso por estar aliviado.
- Isso mesmo - outro risinho encantador - seres que nasceram onde estamos, o planeta Terra - frisou a palavra com os dedos -, são chamados de terráqueos. Claro, também são seres humanos.
- E como sabe disso? Há mais desses terráqueos seres humanos? - Quando deu por si, ele estava apertando a pobre moça entre os braços. Se afastou rapidamente e desviou os olhos daqueles astros caudalosos arregalados. - Desculpe, não quis ser rude.
- E não foi... - Sentiu dedos finos pressionarem seu queixo obrigando sua cabeça a girar e seus olhos a encarar lábios brilhantes, e fazendo suas bochechas ficarem mais vermelhas que um dobrão altaluriano.
Dianna sentiu seu rubor, e rapidamente retirou seus finos dedos, mas no meio do caminho foram envoltos em uma mão quente. Mas antes que pudesse abrir a boca ou deixar o estranho falar, a porta rangeu e ambos ouviram uma voz estridente que vinha de trás dela.
- Hora do julgamento, forasteiro!

* Nebulozzia Paraglaidius - É um planeta regido pelo império intergaláctico Meteoriyon, uma linhagem de muito poder, centralizado na região Sul-Sudoeste do quadrante Gama. Por aceitar qualquer cultura que lhes é apresentada, os Nebulozzianos são poliglotas e conhecidos por seu vasto conhecimento e diplomatas natos, representando inclusive autoridades de outro impérios. São um povo próspero e mestiço, possuem a maior variedade étnica e genética dentre todas as raças consideradas inteligentes. O atual imperador, Nero Meteoriyon, um nativo nebulozziano, buscou sua esposa nos confins do universo, dita humana pura, Anastácia Meteoriyon, com quem teve três lindas filhas: Perigeae, Apogeae e Dianna.


16 setembro 2015

A História de Eustáquio (Capítulo 07 - Uma Cela de Dúvidas)

Eustáquio subitamente lembrou de uma cena que viveu em sua adolescência. Certa vez durante o intervalo de suas aulas, alguns garotos roubaram seu boné e o fizeram correr pelo pátio da escola por demorados minutos. Bem no fim, Eustáquio acabou caindo e todos que estavam ao seu redor gargalharam.
A situação, embora semelhante, possuía detalhes divergentes. Um bom exemplo disso é que nenhum dos seres que enchiam a arena estava rindo, todos fitaram o desconhecido com medo. A criatura bela que carregava Alarme lentamente aproximou-se do homem e disse palavras que Eustáquio não compreendeu. Ele xingou aos céus por ter quebrado seu equipamento de decodificação de línguas.
Alguns guardas correram para proteger sua líder. Carregavam escudos e lanças, cercaram Eustáquio que até então ainda estava no chão. Ele ergueu-se lentamente, com os braços levantados sinalizando que estava desarmado.

Bem no fim, eles não são tão diferentes dos garotos do colegial. Sabem que eu provavelmente posso superá-los em inteligência e por isso podem apelar para a violência física... Refletiu Eustáquio, enquanto era guiado até uma cela no subsolo da arena.
Aquela fêmea ainda segurava Alarme em seus braços enquanto acompanhavam o homem até sua prisão. Não houveram mais tentativas de comunicação, Eustáquio sabia que era temido por ser incompreendido e sabia o que devia fazer.
Alarme parecia estranhamente confortável nos braços da criatura imponente, Eustáquio invejou-a um pouco por conseguir acalmar o bebê de tal maneira. Ele parecia feliz, mesmo que ela não estivesse lhe dando atenção.
Tão linda, mas não posso deixar que meus desejos sobreponham a minha razão. Farei de tudo para sair daqui! Mas e Alarme, deveria levá-lo comigo? ...Talvez ele pertença a raça deles, ou talvez seja bem criado por ela, ao menos... Mas por que eu me importo tanto com aquela carinha de joelho?!
- Você realmente ainda não entendeu? - A figura que visitara Eustáquio nos pântanos estava de pé ao seu lado.
Após sair de um transe reflexivo, Eustáquio encarou o "outro ele" e respondeu:
- Você realmente não existe, não é?
- Ainda questionando-se sobre isso... Realmente importa?
- Pare de usar a palavra "realmente", isso realmente está me irritando - O verdadeiro Eustáquio fechou a cara.
- Não seja tão grosseiro, apenas está frustrado por ter tantas perguntas. Além do mais, não pode se comunicar com a única raça viva que encontrou. Nossa, isso parece realmente bem triste.
- Muito obrig...
A porta da cela rangiu enquanto abria, uma figura encapuzada entrou rapidamente e fechou a porta atrás de si.
Eustáquio, ao ver quem estava ali, espantou-se.

09 setembro 2015

A História de Eustáquio (Capítulo 06 - Ao Cair da Noite)

E ele correu, se embrenhou por aquela mata fechada e escura, e a cada salto na lama encontrava uma criaturinha diferente. Aquilas árvores grossas e escuras que não permitiam que o Sol entrasse eram mesmo populares, mas isso pouco importava agora, ele tinha que correr e alcançar alguém.
Alarme... Por que estava tão desesperado a encontrar o projeto de humano? O que ele esperava achando o bebê? Não sabia dizer, mas havia alguma coisa latejando dentro dele, muito pior do que a costela ardendo ou o pé direito que suspeitava que havia torcido no terceiro ou quarto salto imprudente pela selva; algo muito pior do que qualquer outra dor física, abandono, solidão. Ele sempre pensou que fosse o único "ser humano" em toda a extensão do espaço, e agora encontrara um semelhante a si, não podia deixar a única ligação dele com a antiga vida se esfarelar por entre os dedos. Tratou de apertar o passo
Ao longo do tempo, também percebeu que quanto mais se afundava nesse terreno novo, mais escuro ficava. Quando finalmente parou para descançar, percebeu que estava exausto e suando, se obrigou a sentar e abrir o compartimento de rações espaciais que sempre mantinha próximo a si, em caso de emergência, Eustáquio era um homem precavido para quase qualquer situação.
Quanto mais a respiração acalmava, maior ficava um zumbido que o astronauta soube na hora reconhecer, vozes, várias vozes o cercavam em meia lua vindas da direita, a uns 200 metros... Pareciam alegres, será que era uma festa?
Conforme rapidamente se aproximava, as vozes iam ficando mais altas, até que, depois de afastar algumas folhas, viu... Uma festa? Numa versão menor, talvez da metade do tamanho, do Coliseu, todo iluminado por tochas azul-lazulli flutuantes, havia uma multidão de seres esbeltos e bronzeados, festejando, todos virados em uma só direção, venerando uma figura ainda mais esbelta.
Ela era absurdamente estonteante, era realmente parecida com um ser humano, talvez fosse um, mas acho que linda além dos limites para ser considerada uma, era isso que Eustáquio achava. A pele era alva e os cabelos negros partiam do centro daquela cabeça maravilhosa e terminavam beijando a base daquele pescoço delineado. Ela era uma estrela entre os astros apagados, seu vestido de nebulosa esvoaçava mesmo não havendo vento. Em seus braços havia uma pequena forma... ALARME!
- ALARME!
Eustáquio avançou mancando em direção ao bebê, mas seu pé torcido foi ignorado por tempo demais, a dor e exaustão finalmente reclamaram o corpo acabado para si, e ele caiu, enquanto caía, teve tempo de ver o abrir de um par de olhinhos verde claros, que ao fitarem a figura no chão, se encheram de água, e outro par, de meteoros, olhando-o com muita curiosidade.


02 setembro 2015

A História de Eustáquio (Capítulo 05 - Gases do Pântano)

Eustáquio ouviu uma voz que vinha da floresta atrás dele:
- Sabe, se eu fosse você daria alguns passos para trás e sairia do pântano solar.
Rapidamente o homem virou-se para ver quem estava falando. Uma figura humanoide se protegia entre as grossas árvores, Eustáquio pôde vê-la apenas parcialmente.
- Quem disse isso?
- Ora, veja bem, talvez eu nem seja real. Você deveria saber que os gases do pântano geram alucinações. E por falar no pântano, logo logo os raios solares vão chegar aí e não seria legal para você estar por perto para ver.
Eustáquio olhou novamente para o pântano e viu o horizonte iluminar-se de repente, o instinto de sobrevivência fez com que ele voltasse para a floresta sem olhar para trás. Correu alguns metros e então olhou para a explosão verde e amarela que diariamente carbonizava aquela região.
Essa foi por pouco. Pensou Eustáquio.
- Realmente, foi por pouco mesmo hein - A figura misteriosa estava ao lado do arqueólogo.
- Mas que...! - Eustáquio pulou para longe - Certo, vamos com calma. O que é você?
- Bem, basicamente você pode me chamar de Consciência.
- A minha?
- Bingo! - Como se nunca houvesse tomado outra forma, a figura antes misteriosa passou a ser uma cópia idêntica de Eustáquio.
- Ah, não. Estou ficando louco - Lamentou o homem - Como você veio parar aqui?
- Ué, você estava distraído e eu acabei me perdendo por aí, isso é mais comum do que você imagina.
Eustáquio sentiu uma tontura abater-se sobre sua lucidez, sentia-se cansado, e sem perceber ele desmaiou. Caiu entre raízes de árvores como um bebê cai no sono após comer, e só acordou horas depois.

Sonhou com os tempos em que era apenas um garotinho de não mais que 11 anos. Morava em um condomínio no centro do planeta Ti-412, possuía poucos amigos e fazia poucas atividades além de estudar (em casa). Alguns anos depois que ele se mudou para o condomínio chegou Lucinda, uma menina dois anos mais velha e que obviamente foi sua primeira paixão, aquela garota baixa e de cabelos claros fez Eustáquio quebrar o braço várias vezes em suas maratonas de aventura pelo parque da cidade-planeta. Em seus sonhos, eles foram felizes.
Eustáquio acordou e ergueu-se, analisando a situação. Dormi como um bebê. Engraçado dizer isso já que eu estou carregando um... A criaturinha não estava mais com Eustáquio, ele olhou em volta, correu até a margem do pântano e nada.
O desespero abateu-se sobre nosso herói, Eustáquio continuou procurando pela criança e refez seus passos até onde pôde, sem obter sucesso. Quando a esperança já o havia deixado, subitamente ele ouviu um grito estridente e ensurdecedor.
O grito foi seguido por um choro de criança. Eustáquio correu...

26 agosto 2015

A História de Eustáquio (Capítulo 04 - Bom dia!)

A criaturinha havia aparentemente adormecido, não fazia barulho a algumas horas. Eustáquio improvisara o que chamou de porta-bebê com os retalhos que estavam envolvendo a criança quando o encontrara. Ele parecia tão inofensivo enquanto dormia, tão tranquilo, que o astronauta quase desejara ser a coisinha.
Andando por algumas horas, Eustáquio encontrou algumas árvores peculiares no seu caminho em direção a sabe-se lá onde, afinal, tinha cinco dias de sobra até que a nave voltasse a sua posição inicial. Eram árvores diferentes das outras... Suas folhas eram amarelo-enegrecidas, e pareciam ter massa e volume bem mais que o aceitável para uma simples folha. Ele foi se aproximando, se aproximando, admirado com a beleza das folhas estranhas, que pareciam casulos... E quando chegou perto de uma bem grande, esticou a mão direita em direção ao objeto, a fim de estudá-lo mais a fundo. E então Alarme (nome gentilmente cedido ao bebê por fazer barulho demais) acordou chorando novamente.

E então as folhas comprimiram, e o casulo começou a se dilacerar... E as folhas começaram a produzir um som bem característico. Onde ouvira esse som? Um som rápido como uma lâmina que passa rapidamente girando próxima a sua cabeça... Nas selvas de Zangbar Quinto, planeta dos sistema Omeron Klappa, Eustáquio lembra de ter ouvido sons parecidos vindos da própria população de nativos do planeta, humanoides com genes de... De que mesmo? MORCEGOS!
As folhas vampíricas tomaram forma e começaram a perseguir nosso herói, que rapidamente tentava se desvencilhar da nuvem chamuscada que o seguia furiosamente. Depois de alguns minutos correndo, Eustáquio parou de súbito todo suado, Alarme parecia estar empapado também, mas permanecia quieto, esporadicamente soltando algum som quase inaudível em comparação à respiração pesada do astronauta. Que notou que não ouvia mais o barulho dos mamíferos mortais, será que o haviam perdido de vista? Não lembrava de ter corrido tão rápido ou ser tão ágil, na verdade, analisando memórias, sabia que era sempre um dos últimos a ser escolhido em qualquer esporte na aula de Educação Física do primário.
Nem bem teve muito tempo para pensar no assunto, pois ao virar-se para a direita, deparou-se com um vale pedregoso tão deslumbrante quando pedras formando um vale poderiam ser, que começava a ser iluminado por... O que era aquilo? Línguas de fogo, um mar delas, um mar de línguas de fogo vinha na direção da encosta em que nosso protagonista se encontrava, era a noite dando adeus e iniciando um raiar do dia assassino.