Eustáquio ouviu uma voz que vinha da floresta atrás dele:
- Sabe, se eu fosse você daria alguns passos para trás e sairia do pântano solar.
Rapidamente o homem virou-se para ver quem estava falando. Uma figura humanoide se protegia entre as grossas árvores, Eustáquio pôde vê-la apenas parcialmente.
- Quem disse isso?
- Ora, veja bem, talvez eu nem seja real. Você deveria saber que os gases do pântano geram alucinações. E por falar no pântano, logo logo os raios solares vão chegar aí e não seria legal para você estar por perto para ver.
Eustáquio olhou novamente para o pântano e viu o horizonte iluminar-se de repente, o instinto de sobrevivência fez com que ele voltasse para a floresta sem olhar para trás. Correu alguns metros e então olhou para a explosão verde e amarela que diariamente carbonizava aquela região.
Essa foi por pouco. Pensou Eustáquio.
- Realmente, foi por pouco mesmo hein - A figura misteriosa estava ao lado do arqueólogo.
- Mas que...! - Eustáquio pulou para longe - Certo, vamos com calma. O que é você?
- Bem, basicamente você pode me chamar de Consciência.
- A minha?
- Bingo! - Como se nunca houvesse tomado outra forma, a figura antes misteriosa passou a ser uma cópia idêntica de Eustáquio.
- Ah, não. Estou ficando louco - Lamentou o homem - Como você veio parar aqui?
- Ué, você estava distraído e eu acabei me perdendo por aí, isso é mais comum do que você imagina.
Eustáquio sentiu uma tontura abater-se sobre sua lucidez, sentia-se cansado, e sem perceber ele desmaiou. Caiu entre raízes de árvores como um bebê cai no sono após comer, e só acordou horas depois.
Sonhou com os tempos em que era apenas um garotinho de não mais que 11 anos. Morava em um condomínio no centro do planeta Ti-412, possuía poucos amigos e fazia poucas atividades além de estudar (em casa). Alguns anos depois que ele se mudou para o condomínio chegou Lucinda, uma menina dois anos mais velha e que obviamente foi sua primeira paixão, aquela garota baixa e de cabelos claros fez Eustáquio quebrar o braço várias vezes em suas maratonas de aventura pelo parque da cidade-planeta. Em seus sonhos, eles foram felizes.
Eustáquio acordou e ergueu-se, analisando a situação. Dormi como um bebê. Engraçado dizer isso já que eu estou carregando um... A criaturinha não estava mais com Eustáquio, ele olhou em volta, correu até a margem do pântano e nada.
O desespero abateu-se sobre nosso herói, Eustáquio continuou procurando pela criança e refez seus passos até onde pôde, sem obter sucesso. Quando a esperança já o havia deixado, subitamente ele ouviu um grito estridente e ensurdecedor.
O grito foi seguido por um choro de criança. Eustáquio correu...
02 setembro 2015
A História de Eustáquio (Capítulo 05 - Gases do Pântano)
02 setembro 2015
