09 setembro 2015

A História de Eustáquio (Capítulo 06 - Ao Cair da Noite)

E ele correu, se embrenhou por aquela mata fechada e escura, e a cada salto na lama encontrava uma criaturinha diferente. Aquilas árvores grossas e escuras que não permitiam que o Sol entrasse eram mesmo populares, mas isso pouco importava agora, ele tinha que correr e alcançar alguém.
Alarme... Por que estava tão desesperado a encontrar o projeto de humano? O que ele esperava achando o bebê? Não sabia dizer, mas havia alguma coisa latejando dentro dele, muito pior do que a costela ardendo ou o pé direito que suspeitava que havia torcido no terceiro ou quarto salto imprudente pela selva; algo muito pior do que qualquer outra dor física, abandono, solidão. Ele sempre pensou que fosse o único "ser humano" em toda a extensão do espaço, e agora encontrara um semelhante a si, não podia deixar a única ligação dele com a antiga vida se esfarelar por entre os dedos. Tratou de apertar o passo
Ao longo do tempo, também percebeu que quanto mais se afundava nesse terreno novo, mais escuro ficava. Quando finalmente parou para descançar, percebeu que estava exausto e suando, se obrigou a sentar e abrir o compartimento de rações espaciais que sempre mantinha próximo a si, em caso de emergência, Eustáquio era um homem precavido para quase qualquer situação.
Quanto mais a respiração acalmava, maior ficava um zumbido que o astronauta soube na hora reconhecer, vozes, várias vozes o cercavam em meia lua vindas da direita, a uns 200 metros... Pareciam alegres, será que era uma festa?
Conforme rapidamente se aproximava, as vozes iam ficando mais altas, até que, depois de afastar algumas folhas, viu... Uma festa? Numa versão menor, talvez da metade do tamanho, do Coliseu, todo iluminado por tochas azul-lazulli flutuantes, havia uma multidão de seres esbeltos e bronzeados, festejando, todos virados em uma só direção, venerando uma figura ainda mais esbelta.
Ela era absurdamente estonteante, era realmente parecida com um ser humano, talvez fosse um, mas acho que linda além dos limites para ser considerada uma, era isso que Eustáquio achava. A pele era alva e os cabelos negros partiam do centro daquela cabeça maravilhosa e terminavam beijando a base daquele pescoço delineado. Ela era uma estrela entre os astros apagados, seu vestido de nebulosa esvoaçava mesmo não havendo vento. Em seus braços havia uma pequena forma... ALARME!
- ALARME!
Eustáquio avançou mancando em direção ao bebê, mas seu pé torcido foi ignorado por tempo demais, a dor e exaustão finalmente reclamaram o corpo acabado para si, e ele caiu, enquanto caía, teve tempo de ver o abrir de um par de olhinhos verde claros, que ao fitarem a figura no chão, se encheram de água, e outro par, de meteoros, olhando-o com muita curiosidade.