- Dar-lhe-ei a mesma resposta que às suas filhas, Vossa Majestade. Não sou um cidadão desse reino, sequer sou desse planeta, não me vejo no direito de escolher um lado em assuntos políticos. Também não vejo motivos para que minha escolha seja significativa de fato. Além de, é claro, fazer com que um dos lados me acolha enquanto outro queira separar minha cabeça do corpo.
Eustáquio perdeu-se em seu discurso "épico", imaginando como seria aquele planeta décadas depois, quando os artistas cantariam sobre o forasteiro que recusou-se a participar de uma guerra política. Mas foi afastado de seus pensamentos quando reparou o semblante do rei, sem dúvida alguma a resposta não havia agradado. O fim de sua resposta foi resumido em:
- Aliás, partirei amanhã para localizar o veículo que trouxe-me até aqui, Vossa Majestade.
- Que assim seja, não desperdiçarei meu tempo com formalidades, forasteiro. Pode acomodar-se em meu castelo quanto tempo for preciso até sua partida, meus serviçais estão a sua disposição. Agora tenho uma reunião importante com o Conselho.
O rei ergueu-se e saiu da sala sem olhar para trás, Eustáquio percebeu então que não veria mais o homem. Mas não havia tempo para lamentar seus atos, ele queria ver a princesa Dianna e dar a notícia de sua partida.
Eustáquio terminou seu desjejum e agradeceu os serviçais, com a intenção de que algum deles lhe dissesse onde estavam as princesas. Descobriu que todas elas participavam de "reuniões femininas" como eram apelidadas os encontros onde mulheres da realeza reuniam-se para tomar chá.
Seria o forasteiro tão importante e rude a ponto de interromper tal evento e roubar Dianna só para si por breves instantes? Eustáquio afastou essa ideia romântica e tola de seus pensamentos e dirigiu-se até o salão onde o encontro ocorria.
- Você o quê? - Perguntou Dianna. Eustáquio lutou para concentrar-se na mensagem que devia transmitir, evitava então o olhar da princesa.
- Eu partirei, amanhã pra ser mais exato. Preciso encontrar minha nave e tenho pouco tempo para isso, mas parece que há algo errado, sinto como se estivesse esquecendo de algo.
- Alarme.
- Oi? Não ouvi nenhum alarm...
- Não é isso - Interrompeu a princesa - você está esquecendo da criança, Alarme!
Aquelas palavras foram como um balde de água fria jogado na cara do forasteiro em pleno inverno. Apenas uma pergunta lhe restara:
- Onde está a criança?!
09 dezembro 2015
A História de Eustáquio (Capítulo 17 - Calendário, calendário meu...)
09 dezembro 2015
