Olá vocês! Já faz um tempinho desde a última postagem, não? Sei que uma sexta-feira não é o dia mais apropriado para um poema mais denso, porém, é isso que as leituras mais recentes influenciaram-me a compor.
O corvo negro espreita todos que estão por perto,
O desconhecido torna-se menos interessante quando pode ferir,
Todos saímos desse mundo de algum jeito,
Dentro de caixas, com sapatos, sem sapatos,
A única certeza é o silêncio que o corpo faz,
Talvez por isso tantos partam gritando, fazendo barulho,
Mas o corvo não espanta-se com gritos e gemidos,
Ele sabe que o fim está próximo, o corvo espera,
Mais certo ou menos certo não há,
Não existem regras para morrer,
Vou carregando os pecados, as memórias,
Mortos sentem medo? Sentem frio? Não sei,
Em vida, meu maior medo era morrer sem perceber,
Continuar vagando entre os vivos, sem ser notado,
E o que é que separa mesmo, os vivos dos mortos?
Quem tem mais recordações, os que ficam ou aqueles que partem?
O corvo abre as asas e voa pela noite gelada,
Mal posso vê-lo, suas penas escuras somem na noite,
Ouço uma badalada, depois outra, na terceira já não há mais vida,
O sangue mancha a neve e o corvo chega, o banquete está servido.
J
