O MENINO DAS MÃOS SUJAS
"Meus dedos estão sujos de terra" disse-me Pedro,
O menino que brincava no pátio de minha casa,
A criança mal sabia que era o ser mais puro
De todos que moravam naquela rua,
Pedro nunca conheceu o pai ou a mãe,
Foi criado pelos vizinhos que sempre lhe alimentaram,
Educado pelos professores que sempre tiveram pena,
E apesar de tudo, Pedro foi feliz,
Nos domingos, ao anoitecer, sentava-se
Na varanda da minha casa e olhava o horizonte escurecido,
"O céu está sujo", dizia ele,
E eu apenas sorria, pobre Pedro,
Certo dia, vítima da pobreza e do descuido,
Pedro, que brincava na rua com sua pipa,
Foi atropelado por um caminhoneiro,
Faleceu antes de chegar ao hospital, pobre Pedro,
Hoje vejo como era sábio o menino,
Ao olhar para as próprias mãos e o céu, via a humanidade,
Hoje eu me sento na varanda e sussurro:
"Estamos todos sujos, Pedro".
J