Olá você, hoje foi um dia produtivo, diria eu, num lampejo de criatividade orquestrei meio por cima uma composição sobre um certo moço que controlava o clima. Contando o achado a certa Ruiva do Abismo, fui requisitado a incluí-la nisso. Como não posso negar nada à minha ruiva dos olhos verdes, que tanto me ajuda com erros gramaticais e etceteras, logo tratei de remodelar minha criação para que se moldasse a sua imagem. Não satisfeito, o futuro resolveu me dar mais uma lição, recebi uma dura e construtiva crítica de certa Boneca Dançarina que me fez repensar de certo sobre minhas introduções, então cá estou eu humildemente apresentando meu trabalho final.
Advento da Brisa da Solidão
Vendo tudo de cima, do meu trono de nuvens
Nunca prestei muita atenção nos viventes abaixo
Mas algo nela prendeu meus olhos permanentemente
Aproximando-me, pude ver melhor suas feições
Olhos de esmeraldas à deriva refletidas no Sol
Bochechas rosadas como pêssegos maduros
E aqueles cabelos tecidos pelo próprio fogo
Sua simples visão fez o dia raiar, então criou-se o Verão
E assim seguiram-se todos os dias em que a via dançar
Cantarolar como os pássaros beijados pelo próprio Apolo
Exibir seus tons de fogo rodopiando como labaredas.
Continuou-se assim até o dia em que a ouvi rir pela primeira vez
As flores todas desabrocharam em infinitas cores querendo ouvir também
Os animais surgiram do pó e se reuniram próximos da sua esfera
E caíram todos de amores, assim como o pobre senhor do clima.
Um dia porém, a vi despida de seu sorriso, e o meu também se foi
As folhas das árvores caíram em pranto por ver sua tristeza, a minha
Então criou-se o Outono, frio mas ainda vivo, as folhas que se foram
Tentaram assumir os tons de suas madeixas, todas em vão, é claro.
Com o passar do tempo sua bela visão não mais deu o ar da graça
Ela aparecia cada vez menos, nunca mais a vi sorrir, esfriei aos poucos
E o Inverno deu as caras, sumindo com todas as cores, alegrias, amores
E eu fui entristecendo e criando raízes profundas, endurecendo como árvore
Me ligando com o âmago do Universo, criando galhos altos, que tocavam as estrelas
Eis que de repente, ela sai novamente, e eu estreito meus olhos emadeirados
Seu sorriso cínico foi o bastante para esconder a lâmina brilhante de seu machado
Ela tentava acabar comigo, que a amei por toda a vida, que cuidei de seu paraíso
A seiva escorreu por meus olhos, e eu chorei em luto, sendo assassinado lentamente
E pela primeira vez, choveu, uma chuva forte e imponente, que ensopou suas bochechas
Uma chuva que apagou o fogo dos seus cabelos, e retirou seu encanto cantante
E a chuva deu lugar à minha vingança, e sob seu pequeno corpo o céu caiu
Do meu trono de nuvens, cerrei os olhos para a eternidade,
Fiquei solitário com meus pensamentos, que vagavam pelo infinito
E quando retornavam à ela, meus olhos se enchiam e chovia novamente
Depois trovejava, então aconteciam maremotos, dilúvios, furacões, tempestades
E então eu lembrava dos dias felizes, e o Verão e a Primavera voltavam
E assim os dias passavam, mas minha musa de cabelos flamejantes continuava a queimar meu coração aos poucos
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