Não sei bem ao certo como escrever uma introdução para esse poema, é um dos meus textos "antigos" (de no máximo dois anos atrás) e eu realmente ainda não sei como consegui transcrever tão bem o que sentia. Espero que gostem, ele representa muito para mim :v
CIGARRO
Às vezes, de raiva eu desapareço,
Consumido por palavras que digo sem pensar,
Bebo todo o sangue que me sobe à cabeça
E enlouqueço com uma ira que não é minha,
Um efeito colateral que me atinge
Por simples consequência de estar perto,
Por ter falsos amigos tão verdadeiros que
Transformam tudo o que faço em desgraça,
E ainda há aqueles que odeiam meu corpo,
Outros que odeiam minha voz e meu respirar,
Às vezes, de raiva eu desço do altar divino
No qual eu mesmo me coloquei,
Sempre tentando me fazer maior, melhor,
Talvez tanto ódio e tanta raiva sejam apenas
respostas,
Consequências de tamanha ignorância,
Porque é impossível conhecer sem crer,
Pois o conhecimento não é nada
Senão o acreditar que sabe-se,
Não sou um cigarro, como afirmam eles,
Eles que tantas vezes se fizeram de tabaco,
Às vezes, de raiva eu acendo um cigarro,
Provando as experiências de um conhecido,
Pois não sou tabaco, tampouco sou cigarro,
Se algo tenho de ser, sou o câncer,
Não tenho intenções, apesar de fazer mal,
Não estaria aqui se o cigarro não fosse aceso,
E embora composto de sombra e raiva,
Não escolhi estar onde estou,
E qualquer desenvolvimento meu
Significaria mais sombra e mais raiva,
Às vezes, com raiva eu me liberto,
Vivo como quero porque quero,
Dos amigos que tenho, orgulho e egocentrismo
São os que mais me inspiram,
São perenes, imortais como o ódio do mundo,
Ah, queria eu saber o que estou fazendo,
Ser sincero como os outros, aqueles que não
Percebem que sinceridade não é grosseria,
E de tantos erros que sempre reparo,
Esse câncer ainda é mais odiado que o cigarro.
