27 julho 2015

Soberana das Estrelas

Olá você, pois bem, depois dessa semana de férias voltamos com tudo. Como todos sabem, quando alguém cai do céu, um outro assume seu lugar. Quando a Dama das Nuvens, por desgosto, caiu para a terra dos homens, uma outra bela garota ascendeu ao céu para atormentar os sonhos do pobre homem. Essa, mais inconstante ainda, mais maliciosa, maldita seja a Soberana das Estrelas.

Meus dias têm sido secos desde sua partida
Quando ela desviou o olhar pela última vez o Sol brilhou
Não me lembro de ter chovido desde então...
Mas ela deixou suas lágrimas guardadas comigo,
Para que eu não passasse sede quando ela fosse.
Que bondade a daquela jovem tempestade...

Mas desde que ela se foi, um outro alguém veio
Algo pior que os maiores tornados que presenciei
Algo cuja fúria engoliria as tempestades da minha dama
Outra mulher arrasadora me encarava das alturas

Eu não sei quem era ela, mas parece que se interessou por mim
Todas as noites, com sua pupila de Lua, ela observava meus passos
E se eu a desagradasse, com um sopro ela fazia as estrelas despencarem
Eu era refém da própria cúpula que me cobria os sonhos...

Mas isso não era de todo o mal, quando branda
Me mostrava as mais belas constelações e estrelas
Me deleitava com suas canções de Aurora Boreal
E dançava para mim o balé dos astros espaciais

Um dia ela tocou seus pés no chão, e eu me vi encarando-a
Uma garota pálida e brilhante vestida de uma dobra do vazio
Com olhos de buracos negros e lábios de meteoro sorridentes...
Me aproximei e beijei seus dedos delicados, um arrepio a percorreu

E eu vislumbrei o primeiro rastro de vermelho naquela pele alva.
E então os meteoros atingiram meus lábios com uma fúria gentil
E eu vivenciei a queda de um céu repleto de medos e esperanças
Aquilo me destruiu por dentro, mas foi a melhor extinção que já vivenciei.
M