Ele calculou exatamente que pé aterrizaria no novo mundo primeiro. Não que fosse de superstições, mas nesse espaço tão grande as vezes você precisa se agarrar a algumas coisas das quais até duvida. A unidade de controle da nave se despediu brevemente:
"- Não se sabe se a nave pode chamar atenção demais, por isso ficaremos flutuando a 3 mil pés, sob qualquer suspeita de perigo acione o comunicador do traje, capitão."
"- Não se sabe se a nave pode chamar atenção demais, por isso ficaremos flutuando a 3 mil pés, sob qualquer suspeita de perigo acione o comunicador do traje, capitão."
- Obrigado, EVA. Nos vemos outra hora! - Despediu-se Eustáquio, e sumiu da ponte de comando.
O planeta estava aparentemente abandonado, uma densa névoa cobria o local de pouso da nave. Sem muita demora, Eustáquio descobriu, não muito feliz, que os equipamentos de mapeamento e geo-localização não funcionavam direito naquela terra aparentemente inóspita. Então decidiu seguir sua intuição e ir em frente.
Não demorou muito até encontrar escombros de civilizações perdidas, fora por esse exato motivo que aterrizara naquele planeta, algo que nunca soube mas toda a sua vida estivera destinado a encontrar, quem era ele? O que era? De onde viera? Seu passado era apenas um borrão muito desgastado, e estava certo de que ali iniciaria sua jornada para finalmente encontrar a si mesmo.
Não muito tempo depois de começar a andar pelos escombros, ouviu um barulho estranho. Prosseguiu na direção do mesmo, que foi aumentando até se tornar um nítido... Grito? Agonizo? Não sabia dizer, mas ouvira sons muito parecidos quando visitou as fazendas marinhas de Delta Tri-7, quando uma das vacas-baleia era encaminhada ao matadouro, as outras se reuniam nas portas e produziam esse som em lamento.
Concentrando-se no som, foi se aproximando até que encontrou algo que deveria ser uma espécie de residência simples, adentrou-a receoso, logo que pisou na soleira da porta, parte do teto cedeu, defendeu-se como pode, mas para seu azar, o dispositivo comunicador foi atingido, tentou entrar em contato com EVA, em vão... Conformando-se, decidiu prosseguir; chegando num cômodo mais afastado, notou grande quantidade de um líquido vermelho e viscoso escorrendo pelo chão, e um cheiro putrefato vindo de três corpos inertes do chão, dois quase irreconhecíveis, e um deveras... Grande... E peludo. O fato é que o som vinha de um dos dois corpos menores, que parecia ainda possuir vida de alguma forma. Ele se abaixou e notou pequenas mãos.
O que era aquilo? A curiosidade o impeliu a tocar no pequeno ser. De imediato o guincho irritante cessou, e um par de olhos azulados misteriosamente idêntico ao que o fitava em retorno surgiu numa face pequena.
- UM BEBÊ!!?
