Olá você, hoje o post demorou pois estou no meio de um processo de criação de um artigo científico com prazo apertado guiado pelo desespero, então pensei em não escrever hoje, até porque estava meio sem inspiração para tal coisa, mas vendo que não vou conseguir nada se ficar roendo as unhas e batendo a cabeça para continuar essa porcaria, decidi dar uma chance ao blog e escrever, já que isso me acalma e me liberta um pouco.
O escárnio dos lábios do travesseiro que eu rebato com a ironia da tesoura
A chuva de penas de gansos distintos cobre o deserto de cobertas do quarto
Será dia ou noite para os mundanos? Eu não tenho mais como saber...
Me foi tirado o direito de transitar, então minha escolha foi transcender
Eu fui a fênix que teve o azar de cair no mar pra não renascer mais
Eu fui o flagelo usado para açoitar minhas próprias costas desnudas
Eu me torturo todos os dias na frente do espelho tentando sorrir
Mas meus olhos não acompanham o arreganhar dos lábios em curva
É frio o vento que embala os meus sonhos conturbados de tempestade
São duras as vezes que ando vagando sonâmbulo pela terra de ninguém
Não consigo mais me livrar das raízes que criei onde quer que eu esteja
Então com o tempo fui ficando refém do medo do escuro que eu nunca tive
Então vejo você, ó corsa dos olhos escuros, se embrenhando
Planície afora toda esbelta saltitante em meio à vegetação rasteira
Mas você desconhece o sabor dos pastos verdes que renovam alma
Então desfalece na fome como uma flor sem água no deserto...
Retiro a máscara imposta pelos meus captores
Mas não fujo deles, como pensam os caçadores
Da tortura fiquei amigo, já não sinto mais as dores
Do céu esqueci a forma, e as estrelas perderam as cores
Já não sei pra que serve o coração, ou o significado dos amores
Ó madrugada bela dama vestida de preto com seus dedos finos
Os alazões que carregam tua beleza estão cansados, tomai uma atitude
Peço-lhe que preencha todo o vazio do meu ser e me deixe ouvir os sinos
Deixa vir a doce menina, tão calma e fria. Doce, doce solitude.
M
