Olá você, confesso que tenho andado meio tristonho e jogado de lado. Quem nunca? Mas meu caso é meio duradouro, essa sensação sempre volta. Mas faz parte, não é mesmo? Ser deixado ao vento para que flutue até as mãos de alguém que te mereça, não? Enfim, hoje lhes trago um texto que simboliza o quanto se deve valorizar essas mãos quentes que te seguraram quando a brisa ficou mais forte.
Amor em Cera
Quando terminou sua maquete no fim do sexto dia, majestosamente esculpida em cera branca reluzente, colocou-a para descansar próxima da lareira e deitou-se para descansar um último dia. E durante a noite, o desenrolar dos fatos o surpreendeu na manhã seguinte.
- Olá, eu sou Sr. M, um boneco de cera. Estou aqui para contar uma história sobre um jovem boneco de cera, chamado Sr. M. O tal protagonista foi criado no primeiro dia, e teve o privilégio de acompanhar o criador, que chamam de "O Grande Artesão", esculpir o resto da maquete.
"Nosso mundo é pequeno e plano, eu sei, mas tem lá seus charmes, e Sr. M pode vê-los sendo criados do zero. Como deve saber, ele ficou maravilhado com tudo o que viu, e conforme os seis dias foram se esgotando, ele se viu cercado de outros bonecos de cera, que imaginou ser seus companheiros de maquete."
"Tudo ia de vento em poupa, quando ele reuniu uma boa quantidade de bonecos, os maravilhou noite a dentro com suas histórias de como o mundo foi feito, podia-se ver que os olhos de todos os outros bonecos brilhavam... Com o tempo as histórias chegaram ao fim, e quando todos se fartaram de História, foram explorar o novo mundo, e Sr. M foi ficando para trás. Ele sentia falta dos dias em que os muitos o aclamavam por ser o primeiro, se sentia sozinho e desamparado, sem um propósito... Mas ao sentir um peso reconfortante no ombro direito e olhar para trás, viu um grupo de pequenos bonecos, cujos olhos brilhavam com a mesma intensidade dos demais quando as histórias começaram. E então foi o primeiro dos bonecos a experimentar a sensação das lágrimas de felicidade."
"Com o cair da sexta noite, o novo mundo esquentou, a lareira, seguindo as leis da física, foi derretendo o minucioso universo branco, que foi escurecendo... E com ele, foram indo os pequenos bonecos curiosos, que não cientes do perigo, não se prestavam a correr do calor. Ele, aproveitando-se da ignorância dos novos inquilinos, foi se alastrando mundo afora e acabando com as pequenas vidas."
"Com o amanhecer do último dia, o criador dirigiu-se ao seu pequeno mundo para admirar sua obra prima, qual não foi sua surpresa ao encontrar sua criação morta e enegrecida. Era notável ver os resquícios de seus pequenos hóspedes espalhados pela maquete, queimados e sozinhos, desolados. Mas ao olhar para o centro de sua tela negra, encontrou um amontoado de cinzas... O pequeno grupo ao se deparar com a morte certa, permaneceu junto até o fim, emaranhando seus braços como raízes até se tornar um ser indistinto com vários corações de cera batendo felizes e completos."
"Então o criador apertou os olhos com emoção e voltou ao trabalho, em recriar um mundo onde os laços afetivos valessem mais do que o ouro, a beleza, o curioso ou o puro. Não sem antes envernizar e tornar eterno o abraço que não pode salvar nossos pequenos heróis, mas que os fez permanecer juntos até o derradeiro fim."
"Não importa quão impossíveis pareçam seus problemas, os verdadeiros amigos podem fazer com que eles simplesmente desapareçam solucionados."
Um boneco qualquer que foi criado no Primeiro Dia