07 maio 2015

Do seu antigo amor,

Olá você, sabe como seria curioso se depois de um longo tempo após o término de um casal ,um dos dois mandasse uma carta dispondo de suas considerações sobre o tempo em que passaram juntos? Certa vez eu criei coragem após um longo tempo e mandei uma carta a uma amada desconhecida. Ela nunca respondeu, será que chegou a receber?

Do seu antigo amor,

"Oi, perdida, lembra de mim?

Então, saiba que eu decidi nunca mais me dirigir a você, por questão de princípios e amor próprio, mas depois de tanto debater comigo mesmo, decidi que alguém precisava ouvir minha versão da nossa "história", por isso estou redigindo esta carta ao mundo, quem quer que a encontre, que a aproveite de bom grado.
Então... Lembra como nos conhecemos? Foi naquele dia quente na praia, devia fazer uns 35 graus, eu saí do mar depois de um mergulho refrescante e te vi lá, toda sorridente, construindo um castelo de areia com seu irmão mais novo. Parece que aquilo aconteceu a séculos, prefiro que continue assim, quanto mais distante de mim, melhor. Enfim, depois que nos conhecemos, logo começamos a sair e namorar, e foi aí que o pesadelo começou.

Ninguém me disse que você tinha uma personalidade tão impossível, santo deus, como sofri nas suas garras. Mas por algum motivo que ainda tento entender nos meus momentos de vinho e lareira, é por que eu não desisti antes, digamos que sua personalidade era a pior possível: você era impulsiva, controladora, bipolar, estressada e meio neurótica. Então digamos que tirei a sorte grande quando tirei sua senha. O que não me contaram, é que a senha não abriria um cofre com um tesouro, mas sim uma jaula para um demônio.
Nossa relação foi realmente um inferno, claro que tínhamos dias bons, mas os ruins sempre prevaleceram; uma coisa curiosa é que os dias ruins sempre eram acompanhados de chuva... Nunca choveu tanto na minha vida. Você foi uma enxurrada nela, se posso dizer, você arrastou consigo minha felicidade por um bom tempo, e embora eu achasse que se continuasse a me segurar tudo acabaria bem, no fim, devia mesmo era ter me deixado levar pela correnteza, ser dragado pela tempestade e sentir os raios pele adentro. Sentir queimar a intensidade da sua raiva e testar o limite da sua loucura.
Não tenho um objetivo de te perdoar por ter me deixado, a construtora de castelos sorridente que destruiu minha impenetrável fortaleza de sonhos hoje não é mais que uma lembrança ruim para mim. Sabe... A última visão que tive sua, foi você saindo porta afora de malas prontas, sem derrubar nem uma mísera lágrima.
Hoje eu sou feliz e tento não pensar mais nisso, mas saiba que em memória a você... Eu cimentei aquela porta, e hoje só uso a janela."
Do seu antigo amor,
M