Devo pedir desculpas pelos dias em que deixar e postar, realmente a semana passada foi corrida. Aproveitei a chuva de domingo para divagar um pouco, espero que gostem (um biscoito para quem conhecer os autores referenciados).
O PENSADOR
Eu que sempre amei tudo, hoje amo nada,O Sol não nasce para mim na alvorada,
Pensei demais na vida, ela que estava tão abandonada,
Abandonada como eu, que perdi minha amada,
Divaguei para dentro de um livro de poesias,
Fiquei ali durante dias e dias,
Demorei a entender que Fernando era uma Pessoa,
Não acreditei quando soube: Álvaro estava nos Campos,
Virei mais uma página e encontrei uma Flor
Bela como a Alma de uma jovem virgem,
Todos aqueles pensadores me inspiraram,
Eu queria ser também um pensador,
Quatro versos, quatro estrofes, eu era bom,
Enchia a boca com palavras vazias e apertadas,
A caneta nunca tremeu em minha mão,
E nunca escreveu as palavras do meu coração,
Queria escolher entre rimar ou simplesmente tocar,
Escolher entre o sentimentalismo e a crítica social,
Dentro do livro eu amei e vi a alvorada,
Dentro do livro eu finalmente reencontrei minha amada
Ela era pálida, feita de papel e tinta,
Era tencionada como todos os versos são,
Ao tocar-lhe os lábios, o gosto amargo encheu-me a boca,
Sofremos juntos essa triste separação.
Ainda não ouso dizer o seu nome em voz alta,
Uma vez dito, ele dormiria comigo
Velando meu sono com os sonhos infinitos,
Lembranças do tempo que passei contigo.
J