28 maio 2015

Reflexo Sem Cores

Olá você, hoje, como normalmente, eu não teria um motivo concreto para postar, eu ia pensar um pouco até achar algum tema aleatório sobre o qual poderia escrever, como sempre... Mas ainda bem que esperei. Agora eu tenho um tema que me dá espaço para argumentar um pouco sobre o que sinto no momento. Eu já andava meio abandonado nas últimas semanas, não tenho saído com alguns amigos e sinto saudade dos tempos em que todos tinham um espaço maior para sair comigo e tal, estava comentando isso com uma das pessoas envolvidas. Fui tranquilizado e me senti mais confiante sobre o assunto, então marcamos de sair sexta-feira (amanhã no caso). Outro amigo envolvido acabou retornando das sombras e marquei de sair com ele também. O resultado é uma simples compilação de dois bolos, sendo um duplo (semana que vem também não pode). Meu moral foi simplesmente destruído, estou vagando numa mescla entre raiva, aceitação e tristeza. Eu sei que a culpa não é deles, mas não dói menos levar bolo por causa disso. Enfim...

Reflexo Sem Cores

Ao olhar no espelho, vejo que não mais me reflito
Reflito um estranho de olhos marejados e tristes
Um reflexo imóvel e vidrado, sem cores a mostra
Um fantasma do que já vi nesse espelho, somente.

Nem sempre as coisas foram assim, mas o tempo passa
Com o passar dele, coisas acontecem, coisas boas e ruins
Isso se chama maré da vida, temos sempre as cheias e as secas
Ultimamente me vejo numa seca incessante, e parece
Que não vai chover tão cedo...

Os peixes já foram embora, e com eles os pescadores
A praia já foi abandonada por todos, todos menos eu
Eu sou o único que senta todos os dias na areia escaldante
E espera alguma coisa acontecer. As vezes eu matuto comigo mesmo
Pensando se não sou eu que devia fazer alguma coisa

Olhando dentro de mim mesmo, me sinto confortável
Não há espelhos nem reflexos do que já fui, só lembranças
Dos tempos felizes somente, os incolores eu guardo num baú

Mas não pretendo ficar assim, não fui criado pra ser preto e branco
Posso ter as cores que quiser, não vou deixar um reflexo ditar minha vida
Quando passo em frente ao espelho, ainda vejo aquele estranho sem cor
Mas ao mergulhar bem fundo em suas feições, consigo identificar um leve pé de galinha
Daqueles que se formam quando tentamos segurar um sorriso verdadeiro
E quando eu vir um sorriso de verdade nesse estranho, saberei que a chuva voltará
E os peixes virão com ela...
M