19 junho 2015

Reescrevendo Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)

Então pessoal, faz um tempo que eu não falo com vocês, não é? Recentemente eu tive alguns problemas de saúde que me fizeram ficar afastado de várias atividades. Realmente o Sr.M segurou as pontas brilhantemente nos últimos dias, não foi combinado que ele postaria e mesmo assim ele seguiu sozinho com os poemas. Pretendo voltar a postar normalmente a partir de hoje.

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Para hoje temos um projeto que eu inconscientemente comecei e parando para refletir, achei que seria bom dar sequência. Trata-se de uma brincadeira, reescrever poemas (considerados clássicos ou não) de autores que gosto e admiro, vezes mudando a ideia do poema, vezes apenas acrescentando. Talvez tentar expor uma visão diferente. O único exemplo já postado no blog é "E agora, Eustáquio?", poema baseado em "E agora, José" de Carlos Drummond de Andrade.
Hoje vamos de "Quando Vier a Primavera", uma obra de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa,

Quando vier a jovem bela,
Se eu já estiver cansado de novos amores,
Amores que vem de um jeito ou de outro, sem pedir,
Quando vier a jovem bela, não moverei um dedo sequer,
Ela não precisa de mim,

Sinto uma tristeza enorme,
Ao pensar que uma jovem tão bela, viva bem sem meus versos,

Se eu soubesse que ela gosta de flores,
E flores não houvessem em meus poemas,
Reescreveria contente todos os versos, com cores e flores,
Mas e quando há de vir a jovem bela? Depois de amanhã?
Têm ela o seu tempo, isso é um fato que me assombra,
Mas qual é o tempo da jovem bela?
E se eu morrer hoje, o que faria com meus versos de flores?
Não. Nada disso é real, nada disso está certo,

Quisera eu, pensar em outras coisas que não fossem jovens belas,
Quisera eu ter a coragem de escrever versos para mim,
Sim, para mim. Há de chegar o dia dos meus versos próprios,
E que sejam eles sobre o que forem, serão o que têm de ser.

(No vídeo, o poema original é declamado pelo ator Pedro Lamares)
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